Quem visita Buenos Aires pela primeira vez dificilmente deixa de conhecer o Obelisco, a Casa Rosada, o Caminito, a Floralis Genérica ou a Puente de la Mujer. Todos esses lugares ajudam a contar a história da cidade e merecem fazer parte do roteiro.
Mas existe uma Buenos Aires que quase nunca aparece nos guias tradicionais. Ela está em pequenas ruas escondidas, em museus pouco conhecidos, em livrarias onde o tempo parece passar mais devagar e em bares que continuam praticamente iguais aos de décadas atrás. Lugares que talvez não sejam os mais fotografados da cidade, mas que costumam deixar uma lembrança duradoura.
Se você já reservou espaço no roteiro para conhecer os principais pontos turísticos, vale a pena incluir também algumas dessas descobertas.
Museo Xul Solar
O Museo Xul Solar ocupa a antiga residência de um dos artistas mais originais da Argentina e reúne pinturas, esculturas, objetos e projetos que revelam um universo bastante particular. Mesmo quem não costuma incluir museus no roteiro normalmente sai impressionado com a criatividade da obra de Xul Solar. É uma visita tranquila, diferente e pouco conhecida entre os brasileiros. (Laprida 1212, Barrio Norte/Recoleta)
Librería Eterna Cadencia
Quase todo visitante conhece a Livraria El Ateneo Grand Splendid. E ela realmente merece a fama. Mas existe outra livraria que costuma conquistar quem gosta de ambientes mais silenciosos. Instalada em uma antiga casa de Palermo, a Eterna Cadencia reúne livros, cafeteria e um agradável jardim interno. É o tipo de lugar onde as pessoas entram para comprar um livro e acabam permanecendo muito mais tempo do que imaginavam. Mesmo quem não pretende levar nenhum exemplar encontra ali um ótimo lugar para fazer uma pausa durante o passeio. ( Honduras 5582).
Plaza Güemes – Palermo
Conhecida por muitos porteños como Plaza Guadalupe, a Plaza Güemes é um daqueles lugares que revelam o cotidiano de Palermo. Em frente à praça está a imponente Basílica Nuestra Señora de Guadalupe, inaugurada no início do século XX. Com suas torres de tijolos aparentes e arquitetura neogótica, ela se tornou um dos marcos mais elegantes do bairro e merece a visita.
Ao redor da praça, famílias, corredores, pessoas passeando com seus cachorros e moradores tomando mate ajudam a criar uma atmosfera tipicamente porteña. Não há grandes atrações turísticas por ali. Justamente por isso, é um ótimo lugar para fazer uma pausa, observar o ritmo da cidade e conhecer um lado de Buenos Aires que raramente aparece nos roteiros tradicionais.
Barrio Inglés
Em Caballito existe uma pequena região conhecida como Barrio Inglés, formada por ruas tranquilas e casas construídas no início do século XX. Caminhar por ali é descobrir uma Buenos Aires completamente diferente daquela dos grandes edifícios do Centro ou dos cafés de Palermo. É um passeio curto, mas bastante agradável para quem gosta de arquitetura.
Pasaje Russel
Localizado entre as ruas de Palermo Soho, o Pasaje Russel costuma fazer parte de diversos walking tours dedicados à arte urbana de Buenos Aires. Ao longo de toda a passagem, muros e fachadas servem de tela para grafites, murais e intervenções artísticas que mudam constantemente. Cada visita pode revelar uma pintura diferente, tornando o lugar um espaço vivo e em permanente transformação. É um daqueles lugares que mostram uma Buenos Aires contemporânea, criativa e muito diferente da imagem clássica associada ao tango e aos edifícios históricos.
El Boliche de Roberto
Há bares que servem bons coqueteis, outros têm boa comida. O Boliche de Roberto oferece uma viagem a uma Buenos Aires perdida no tempo.
Instalado em um antigo despacho de bebidas do século XIX, no bairro de Almagro, o ambiente praticamente não mudou com o passar dos anos. Garrafas antigas cobrem as paredes, as mesas são poucas e o cardápio é bastante simples.
O que torna o lugar especial, porém, acontece ao longo da noite. Sem grandes anúncios ou horários rígidos, cantores e músicos de tango começam a se apresentar entre as mesas, praticamente no meio do público. Não existe palco, nem espetáculo pensado para turistas. Apenas um clima difícil de explicar e impossível de reproduzir. É um lugar muito simples, apenas para quem deseja conhecer um pedaço da Buenos Aires mais autêntica. (Bulnes 331 – Almagro).
Pasaje Lanín
Poucos visitantes imaginam que uma das ruas mais bonitas de Buenos Aires está escondida em Barracas. O Pasaje Lanín foi transformado pelo artista plástico Marino Santa María, que revestiu dezenas de fachadas com mosaicos coloridos, criando uma verdadeira galeria de arte a céu aberto. A visita leva poucos minutos, mas costuma surpreender justamente por mostrar um lado da cidade completamente diferente daquele encontrado nas áreas mais turísticas.
El Ateneo Grand Splendid: vá além da foto
Provavelmente você já viu imagens da El Ateneo Grand Splendid antes mesmo de comprar a passagem. Ela aparece em praticamente todas as listas de “lugares imperdíveis” de Buenos Aires e costuma ser fotografada do mesmo ângulo: o antigo palco do teatro transformado em cafeteria.
A visita realmente vale a pena. Mas existe uma forma ainda melhor de aproveitar o lugar. Em vez de entrar apenas para tirar uma foto, reserve algum tempo para caminhar pelos diferentes andares, observar os detalhes da antiga decoração do teatro, folhear alguns livros e sentar para tomar um café. A experiência muda completamente quando a livraria deixa de ser apenas uma atração turística e passa a ser vivida como os próprios moradores costumam fazer. (Av. Santa Fé, 1860 – Recoleta).
Vamos! recomenda
Os grandes cartões-postais merecem a fama que têm. Mas, se houver tempo, procure incluir pelo menos um ou dois lugares menos conhecidos no seu roteiro. Muitas vezes são justamente essas pequenas descobertas que acabam se transformando em algumas das melhores lembranças da viagem.
Por Andrea Guerra | Vamos! Buenos Aires
