Se você nunca veio a Buenos Aires entre junho e agosto, provavelmente já fez estas perguntas. “Será que vale a pena? Vou conseguir aproveitar a cidade com tanto frio?”. A dúvida faz sentido, afinal, para quem mora no Brasil, especialmente nas regiões mais quentes, qualquer previsão de 8°C já assusta quem não está acostumado às baixas temperaturas.
A verdade é que o inverno muda a cidade. Mas não do jeito que muita gente imagina. O frio existe, claro. Alguns dias começam perto dos 5 °C e, quando venta, a sensação térmica cai ainda mais. Mas o inverno portenho tem uma característica que costuma surpreender os brasileiros: ele é, na maior parte do tempo, seco e ensolarado. É aquele frio que convida a caminhar e, se há um consenso sobre Buenos Aires, é que ela é uma cidade feita para conhecer caminhando.
O inverno muda o ritmo da cidade
Quem visita Buenos Aires no verão passa boa parte do dia entre parques, praças e mesas nas calçadas. No inverno, a cidade desacelera um pouco. As horas gastas nas ruas passam a dividir espaço com os ambientes fechados. Os cafés ficam mais convidativos, os museus entram em alta temporada, as livrarias ganham ainda mais movimento e um almoço em uma parrilla pode se tornar mais demorado.
Vir a Buenos Aires no inverno não é melhor nem pior, é simplesmente diferente. Há programas que ficam ainda melhores nessa época, como alguns passeios que parecem ter sido feitos para os dias frios. Por exemplo, entrar em um Café Notable depois de caminhar pela Recoleta, almoçar em uma parrilla antes de continuar explorando San Telmo, passar uma tarde no MALBA ou no Museu Nacional de Belas Artes, assistir a um espetáculo de tango quando anoitece mais cedo ou simplesmente entrar em uma livraria para folhear alguns livros antes de voltar para a rua.
Nenhum desses programas existe por causa do inverno. Mas todos parecem combinar especialmente com ele. Ainda dá para caminhar? Sem dúvida. Na verdade, essa costuma ser uma das maiores surpresas para quem visita Buenos Aires pela primeira vez nessa época do ano. Mesmo nos meses mais frios, muita gente continua explorando a cidade a pé. A diferença é que vale a pena organizar melhor o roteiro: aproveitar as horas mais quentes para caminhar pelos bairros e deixar museus, cafés, restaurantes e o show de tango para o fim da tarde ou para a noite.
E a neve?
Essa é outra dúvida frequente. Apesar da fama, neva muito raramente em Buenos Aires. O episódio mais lembrado aconteceu em julho de 2007 e entrou para a história justamente por ter sido algo excepcional. Se você viajar durante o inverno, espere dias frios, árvores sem folhas e um céu muitas vezes azul. Paisagens cobertas de neve, definitivamente, não fazem parte da rotina da cidade. Já os dias de chuva existem, mas normalmente não duram muito tempo.
Afinal, vale a pena?
Na nossa opinião, sim. Quem imagina que o frio limita a viagem normalmente muda de ideia depois dos primeiros dias. Buenos Aires continua convidando a caminhar, os principais passeios funcionam normalmente e alguns programas parecem ganhar um charme especial quando a temperatura cai. Talvez seja justamente por isso que tanta gente volta da viagem dizendo a mesma coisa: não esperava gostar tanto da cidade no inverno.
Dica: Vestir-se em camadas costuma ser mais eficiente do que levar um único casaco muito pesado. Uma camiseta térmica, um suéter e um bom casaco resolvem a maior parte dos dias. Assim, você consegue adaptar a roupa à temperatura ao longo do dia, principalmente quando entra em cafés, museus e restaurantes.
Vamos! recomenda
Se você pretende viajar entre junho e agosto, não monte um roteiro pensando apenas no clima. Monte um roteiro pensando na cidade. Intercale caminhadas com boas cafeterias, reserve uma noite para assistir a um show de tango, escolha uma parrilla para um almoço sem pressa e aproveite para conhecer alguns dos excelentes museus da capital argentina. O inverno não muda o que Buenos Aires tem de melhor. Apenas muda a forma de viver a cidade.
Por Andrea Guerra | Vamos! Buenos Aires
(Atualizado em Junho/26)