Palermo costuma aparecer em praticamente todos os roteiros de Buenos Aires. E não poderia ser diferente. O bairro reúne alguns dos melhores restaurantes da cidade, excelentes cafeterias, bares, parques, áreas verdes, museus, lojas independentes e uma atmosfera que agrada tanto quem está visitando Buenos Aires pela primeira vez quanto quem já voltou várias vezes.
O problema é que muita gente acaba conhecendo apenas uma pequena parte de Palermo. Normalmente o roteiro se resume à Plaza Serrano, à Plaza Armenia e às ruas mais famosas de Palermo Soho. Vale a visita? Claro. Mas existe muito mais para descobrir.
Primeiro: Palermo é enorme
Uma das confusões mais comuns dos visitantes é imaginar Palermo como um único bairro homogêneo. Na prática, Palermo funciona quase como uma pequena cidade dentro de Buenos Aires. Palermo Soho, Palermo Hollywood, Palermo Chico, os Bosques de Palermo e as áreas residenciais próximas à Avenida Libertador oferecem experiências bastante diferentes entre si. Por isso, uma boa forma de explorar o bairro é abandonar a ideia de “conhecer Palermo em uma tarde”. É um bairro que merece mais tempo e atenção para ser descoberto.
Pasaje Russel e a arte urbana do bairro
Escondido entre ruas bastante movimentadas, o Pasaje Russel (sim, em espanhol, passagem é uma palavra masculina!) oferece uma experiência completamente diferente daquela encontrada nos principais corredores turísticos. A passagem ficou conhecida pelos murais, grafites e intervenções artísticas espalhados ao longo dos seus muros e fachadas, e hoje e passagem obrigatória nos tours de street art.
Não existe uma entrada oficial nem um roteiro determinado. O melhor é caminhar observando os detalhes. Algumas obras ocupam fachadas inteiras, enquanto outras aparecem discretamente em portas, muros e pequenos espaços do bairro. Para quem gosta de fotografia urbana, é uma das regiões mais interessantes de Palermo.
Jardim Botânico: muito mais do que uma parada rápida
Muita gente passa pela frente do Jardim Botânico achando que é apenas mais um espaço verde de Buenos Aires. Mas vale muito a pena dedicar mais tempo ao local. Criado no final do século XIX, o espaço reúne milhares de espécies vegetais, estufas históricas, esculturas e caminhos bastante tranquilos. Em vários pontos, o movimento da Avenida Santa Fe parece desaparecer completamente. Durante a semana, o público costuma ser formado principalmente por moradores da região, estudantes e pessoas que trabalham nas proximidades.
Ecoparque
Ao lado do Jardim Botânico está o Ecoparque, instalado na área que durante décadas abrigou o antigo zoológico de Buenos Aires. Embora tenha passado por uma profunda transformação nos últimos anos, o local continua abrigando diversas espécies de animais. Durante a visita é possível observar girafas, hipopótamos, capivaras, maras, lhamas, guanacos e diferentes espécies de aves. Os lagos costumam reunir cisnes, garças e outras aves aquáticas, enquanto os pavões circulam livremente por várias áreas do parque. Além dos animais, o Ecoparque preserva construções históricas do antigo zoológico, algumas delas consideradas patrimônio arquitetônico da cidade.
Plaza Güemes e a Basílica de Guadalupe
A poucas quadras das ruas mais movimentadas de Palermo está uma das praças mais agradáveis do bairro. A Plaza Güemes faz parte do cotidiano dos moradores da região. Durante o dia, é comum encontrar pessoas passeando com cachorros, crianças brincando e vizinhos conversando nos bancos da praça. Em frente está a Basílica Nuestra Señora de Guadalupe, uma das igrejas mais bonitas de Buenos Aires. Suas torres dominam a paisagem do bairro e servem como ponto de referência para quem caminha pela região. O interior também merece uma visita, especialmente pelos vitrais e pela arquitetura. É um daqueles lugares que ajudam a entender como funciona a vida cotidiana em Palermo.
Palermo Chico
Quem conhece apenas Palermo Soho normalmente se surpreende quando chega a Palermo Chico. As ruas são largas, arborizadas e muito mais silenciosas. Embaixadas, residências históricas e edifícios elegantes compõem uma paisagem bastante diferente daquela encontrada nas áreas mais movimentadas do bairro. É uma excelente região para caminhar observando a arquitetura e descobrir um lado menos conhecido de Buenos Aires.
MALBA e os arredores
O Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires é uma das atrações culturais mais importantes da cidade. Mas a visita não precisa terminar quando você sai do museu. A região ao redor do MALBA reúne algumas das ruas mais agradáveis de Palermo Chico e oferece uma boa oportunidade para combinar arte, arquitetura e caminhada em um único passeio.
Distrito Arcos: Um outlet a céu aberto
Próximo à Avenida Juan B. Justo, o Distrito Arcos ocupa uma área que durante décadas foi utilizada pela ferrovia. Os antigos galpões foram restaurados e transformados em um shopping estilo outlet que preserva boa parte da arquitetura original do conjunto.
O espaço reúne marcas argentinas bastante conhecidas, além de algumas grifes internacionais, em um ambiente amplo, aberto e agradável para caminhar. Para quem gosta de fazer compras durante a viagem, vale a visita principalmente para garimpar oportunidades. Muitas lojas trabalham com coleções de temporadas anteriores e costumam oferecer descontos interessantes em relação aos preços encontrados em outras unidades da mesma marca.
Livrarias e cafés fora do circuito mais conhecido
Quem visita Palermo costuma procurar as cafeterias famosas que aparecem em vídeos e listas da internet. Mas algumas das melhores descobertas acontecem justamente fora desse circuito. O mesmo acontece com pequenas livrarias independentes espalhadas pela região. São lugares menos conhecidos, mas que ajudam a entender como os porteños utilizam o bairro no dia a dia. Se puder, inclua no roteiro:
Livrarias:
Eterna Cadencia📍 Honduras 5574
Libros del Pasaje📍 Thames 1762, Palermo
Cafés:
Ninina 📍 Gorriti 4738
Cuervo Café📍 El Salvador 4580
Lattente📍 Thames 1891
Vamos! recomenda
Se o seu roteiro permitir, vale a pena dedicar dois dias a Palermo. O bairro é grande, reúne atrações bastante diferentes entre si e dificilmente pode ser explorado com calma em apenas algumas horas. Uma boa forma de organizar a visita é dividir o passeio em duas regiões.
No primeiro dia, concentre-se na área mais conhecida de Palermo. Caminhe por Palermo Soho, explore as ruas ao redor das praças Armenia e Serrano, visite algumas livrarias e cafeterias, conheça o Distrito Arcos e aproveite para observar as pequenas lojas independentes que fizeram a fama do bairro.
No segundo dia, reserve mais tempo para as áreas verdes e para a parte mais residencial de Palermo. Comece pelo Jardim Botânico, siga para o Ecoparque, caminhe pelos Bosques de Palermo e visite o Rosedal, um dos cartões-postais mais bonitos da cidade, especialmente durante a primavera. Se estiver viajando com crianças ou gosta de astronomia, vale incluir também uma visita ao Planetário Galileo Galilei, localizado dentro dos parques de Palermo.
Aproveite o restante do dia para caminhar por Palermo Chico, passar pela Plaza Güemes e procurar os murais do Pasaje Russel.
Por Andrea Guerra | Vamos! Buenos Aires
(Atualizado em agosto/26)
